Coluna CPDOC - Jornal Opinião - América Espírita – Ano XIII - Nº 143 – Julho 2007

Desde o início da vida na Terra e da história da evolução dos seres os recursos naturais sempre foram extremamente importantes, proporcionando todos os elementos necessários e vitais para a sobrevivência das espécies no Planeta. Nunca, em tempos passados, foi levado em consideração se esses bens naturais eram limitados ou não, sendo explorados e utilizados indiscriminadamente.Somente nos últimos séculos o planeta, após dar diversos sinais de alerta, devido o esgotamento excessivo de suas reservas e da inconseqüente ganância do homem, vem mostrando que está exausto com dificuldade em se auto-recuperar e isso chamou a atenção de alguns estudiosos que começaram a perceber que as reservas são finitas se forem mal utilizadas.Juridicamente, não é, como visto, qualquer bem natural que se decidiu tutelar normativamente, mas sim o meio ambiente “ecologicamente equilibrado”, conforme nos dita o art 225 da Constituição Federal de 1988. E esse bem é o produto da inter-relação de seus componentes (bióticos e abióticos), o que nos leva a concluir que a noção positivada de meio ambiente compreende seus elementos e suas relações. Constituindo, portanto, o meio ambiente, uma unidade que abrange bens naturais e culturais e que compreende a integração do conjunto de elementos naturais, artificiais que proporcionam o desenvolvimento equilibrado da vida humana. Incluídos todos os elementos que, de alguma forma, contribuam para a existência, a manutenção e o aprimoramento da vida e de sua qualidade, tais como: patrimônio natural, paisagístico, histórico ou artístico. Para a implementação de políticas ambientais a participação efetiva de todas as classes sócias é primordial, mas também, é preciso investir na conscientização ambiental da população. É preciso que se tenha noção da gravidade da situação, dos riscos que o meio ambiente, como um todo, está correndo, e que se tenha reconhecimento da responsabilidade individual e coletiva das práticas adotadas até agora, que estão destruindo o planeta, mas que ainda se está em tempo consertar e/ou reconstruir os danos causados, preservando os recursos remanescentes. Nesse contexto, não há espaço para o usuário espectador, à espera de propostas surgidas nas esferas governamentais. A nova ordem é a busca de alternativas pelo cidadão ou grupo de cidadãos, levando em consideração as necessidades e dificuldades vivenciadas pelas próprias comunidades. A proteção e conservação ambiental devem ser o objetivo primordial da sociedade, para que seja possível reverter o processo elevado de degradação que assola, não só o Brasil, mas o planeta Terra. O ambientalismo é uma ciência interdisciplinar e altamente ética, não podendo ser dissociado da filosofia espírita. Desta forma, o Espiritismo, que tem como fundamento a Lei natural da reencarnação, convoca os homens a uma reavaliação de seus hábitos e na sua forma de encarar a existência na Terra. Em O Livro dos Espíritos, Kardec, nos coloca, na questão 705: “Por que a Terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?...”a Terra produziria sempre o necessário se o homem soubesse contentar-se. Se ela não cumpre a todas as necessidades é porque o homem emprega no supérfluo o que se destina ao necessário. Vede como o árabe no deserto encontra sempre do que viver, porque não cria necessidades fictícias. Mas quando metade dos produtos é desperdiçada na satisfação de fantasias, deve o homem se admirar de nada encontrar no dia seguinte e tem razão de se lastimar por se achar desprevenido quando chega o tempo de escassez? Na verdade eu vos digo que não é a Natureza a imprevidente, é o homem que não sabe regular-se”. O homem, enquantoespírito encarnado também exerce ações incessantes sobre o mundo espiritual e físico, tanto pela influência dos seus pensamentos como também pelas suas atitudes, muitas vezes nociva, criando uma psicosfera tão desequilibrada e deformada, quanto às destruições e deformações causadas no seu meio material.Em muitos textos que retratam a evolução dos seres os Espíritos comentam, que passamos por todos os reinos, inclusive, na questão 540 de O livro dos Espíritos, ou seja, que começa no átomo e vai ao “arcanjo”, ou seja, da matéria ao espírito. Vale uma análise mais profunda, pois parece que a filosofia espírita não tem se aprofundado muito nas relações matéria/espírito, se preocupando muito mais com questões morais e de curas psíquicas, sem adentrar que, as deformações da matéria são causadas por desequilíbrios do espírito, pois estes têm a capacidade de regenerar-se como também de refinar a matéria, numa atitude altamente responsável e ética. Sob a ótica espírito/ambiental podemos interpretar essas questões como sendo os fatores resultantes das modificações causadas no meio ambiente e nos distúrbios psíquicos, os quais provocam reações metabólicas causando modificações químicas na matriz do DNA ou nas cadeias de moleculares, alterando a qualidade do meio com impactos altamente negativos e prejudicando a estrutura física do homem e dos demais organismos vivos do planeta. A filosofia Espírita, segundo KARDEC; ”é uma questão de fundo e não de forma”. Não adianta os exagerados bons modos, a afetação macia na voz e, menos ainda, os extremos da formalidade pura, ou seja, abstenção de bebida alcoólica, a reclusão, fugindo dos ambientes festivos e mundanos, tornar-se vegetariano, etc, se isso não vier do coração. O Espiritismo ensina que a pureza está no interior dos seres, e deve reger sua conduta e suas relações pessoais de maneira compatível com seu discurso e sua crença na imortalidade, sem esperar que a artificialidade no agir os purifique. Sendo assim, homem tem na reencarnação a oportunidade de interagir com pessoas e com o meio social, com os quais está ligado por elos do passado, e esta oportunidade deve ser utilizada de forma proveitosa e racional, mesmo porque o espírito retornará para este planeta, por inúmeras vezes, e portanto, o cuidado com o planeta hoje, nada mais é do que trabalhar no planejamento de suas futuras vivências. Desta forma, podemos reconhecer que cada um é arquiteto de sua vida, mas a partir do momento que extrapolar o seu limite acaba interferindo, de maneira indelével, no espaço dos demais.

 

Cynthya Michelin Locatelli
Autor: Cynthya Michelin Locatelli
Bacharel em Direito; ambientalista atuante nos movimentos de proteção ambiental da região do Vale de Itajaí/SC. Membro do CPDoc e Delegada da CEPA

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Artigo publicado originalmente na Coluna do CPDOc - Jornal Opinião - América Espírita – Ano XIII - Nº 142 – Junho 2007

Esta obra de Paulo Henrique de Figueiredo, publicada pela Editora Lachâtre resgata o pensamento de Mesmer, este brilhante médico, fundador do magnetismo animal.

É uma tradução inédita, integral e comentada das obras de Mesmer. Em um só volume encontramos: “Memória sobre a descoberta do magnetismo animal”, 1779; “Resumo Histórico dos fatos relativos ao magnetismo animal” 1784; “Memória de F.A. Mesmer”, doutor em medicina, sobre suas descobertas, 1799; e as anotações de seus alunos; “Aforismos de Mesmer”, 1785; também com uma biografia e a história, revista, da medicina.

Alcione Moreno
Autor: Alcione Moreno
Médica GO - Terapeuta Sexual, Secretária do CPDoc.

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Artigo publicado originalmente na Coluna do CPDoc - Jornal Opinião - América Espírita – Ano XIII - Nº 141 – Maio 2007

“[...] os direitos nascem quando aumenta o poder do homem sobre o homem – que acompanha inevitavelmente o processo tecnológico (a capacidade do homem de dominar a natureza e os outros homens) – ou cria novas ameaças à liberdade do indivíduo, ou permite novos remédios para as suas indigências.”

Norberto BOBBIO .

Marcelo Henrique Pereira
Autor: Marcelo Henrique Pereira
Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina (ADE-SC), membro do CPDoc e da CEPA.

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Artigo publicado originalmente na Coluna do CPDoc - Jornal Opinião - América Espírita – Ano XIII - Nº 140 – Abril 2007

Considerando que dormimos aproximadamente 1/3 de nossa existência, indagações sobre o sono surgem naturalmente, tanto sob a ótica médica quanto a espírita.

Para a medicina o sono é estado funcional, reversível e cíclico, altamente complexo e ativo, com fases e arquitetura próprias; que interfere profundamente nos outros processos fisiológicos e é por eles afetado, podendo seus distúrbios gerar doenças e alterações comportamentais. Apresenta os seguintes estágios:Vigília, Sono REM e Sono NREM. Destes, o mais interessante é o REM, onde ocorrem os movimentos oculares rápidos e surgem os sonhos mais organizados. Sua atividade cerebral é a que mais se assemelha à da vigília, embora seja ao mesmo tempo, o momento em que estamos mais desligados do meio externo. Em razão deste aparente conflito entre atividade cerebral semelhante à vigília e isolamento do meio externo, esta fase REM é também chamada de “Sono Paradoxal”, “Sono Ativo” ou “Sono dos Sonhos”.

Maria Cristina Zaina
Autor: Maria Cristina Zaina
Médica de imagem, membro do CPDoc em Curitiba e Delegada da CEPA.

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Artigo publicado originalmente na Coluna do CPDoc - América Espírita – Ano X - Nº 102 – Março 2007

Um homem de seu tempo. Essa é a conclusão do trabalho Kardec, Sua Casa e Seus Amigos, de autoria de Carolina e Reinaldo Di Lucia. Uma proposta apresentada no VIII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita que visa mostrar as particularidades históricas e correntes filosóficas do século XIX, assim como alguns dos principais pensadores que, de algum modo, influenciaram ou apresentaram pontos de contato com a doutrina espírita.

A primeira parte percorre “a casa” de Allan Kardec. O que se passava em um dos séculos mais famosos e conturbados da história moderna? O que se vestia ou se lia? Que invenções eram criadas? Quais guerras estavam em curso? Se o homem é produto de seu tempo, é impossível querer entender minimamente Allan Kardec e, consequentemente, sua obra, sem saber o modo de vida no qual aquela sociedade estava imersa e, daí, o porquê de determinadas teorias e escolas. Depois desse panorama histórico é hora de apresentar “os amigos” de Kardec. Claro que não há evidências de que os personagens tenham travado qualquer contato, mas é certo que alguns deles influenciaram tanto a doutrina que é possível pensar em um espiritismo antes e depois desses autores e do lançamento de suas obras.

Reinaldo Di Lucia
Autor: Reinaldo Di Lucia
Engenheiro Químico, membro do CPDoc e colunista do Jornal Abertura.

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Artigo publicado originalmente no Jornal América Espírita – Ano XII - Nº 138 – Janeiro e Fevereiro 2007

A CEPAmigos e o CPDoc promoveram interessante debate com o professor José Luiz Santos, autor do livro “Espiritismo: uma religião brasileira”, escrito a partir dos estudos que desenvolve na área de representações sociais e simbolismos, analisando a cultura como dimensão do processo social. Professor titular de antropologia da UNICAMP, fez interessante análise da inserção do espiritismo no Brasil, que se deu por meio da elite cultural, branca, letrada e católica, que falava francês e ocupava funções sociais de prestígio (militares, juizes, etc.). Segundo ele, os primeiros espíritas, principalmente os “científicos”, eram progressistas, anti-escravagistas e pró-republicanos.

Destacou que naquele contexto o catolicismo enfrentava problemas com o império e por não atendia a expectativa da cultura brasileira, que ansiava por coisas espetaculosas. Além disso, o espiritismo surgiu em sintonia com o paradigma dominante do século XIX, o evolucionismo teleológico, que propunha um sentido ao paraíso, o lugar perfeito para onde natural e inexoravelmente evoluiria a sociedade.

Ademar Arthur Chioro dos Reis
Autor: Ademar Arthur Chioro dos Reis
Médico sanitarista e professor universitário. Membro do CPDoc e do Centro Espírita Allan Kardec (Santos-SP)

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A prática da mediunidade desenvolveu-se no Brasil à margem do método e dos referenciais instituídos por Kardec em sua vasta obra (em particular, n’O Livro dos Médiuns). Após quase 150 anos de disseminação da mediunidade, temos a convicção de que a compreensão de seus mecanismos ainda é muito incipiente.

No início da década de 1970, um grupo de estudiosos ligados ao Centro Espírita “Luz Eterna”, de Curitiba-PR, elaborou e difundiu nacionalmente o COEM – Centro de Orientação e Educação Mediúnica, formando médiuns e dirigentes de reuniões e reformulando a prática mediúnica, sem o escopo de instituir um processo de investigação e ampliação do conhecimento sobre os temas relacionados à mediunidade. Deve-se destacar, ainda, o trabalho de formulação teórica desenvolvido por J. Herculano Pires, em especial em sua excelente obra “Mediunidade (Vida e Comunicação)”, em que trata das questões conceituais relacionadas àcomunicabilidade entre os mundos material e espiritual e alguns aspectos práticos envolvidos nesta relação. De uma maneira geral, os autores que se propuseram a investigar o processo de comunicação mediúnica (PCM), em número reduzidíssimo, restringiram-se a reproduzir as reportagens e análises (de inegável qualidade e profundidade) que compõem a obra do espírito André Luiz, por meio da mediunidade de Chico Xavier.

O livro “Processo de Comunicação Mediúnica: Mecanismos da Mediunidade” , de nossa autoria, publicado pela Editora CPDoc, é fruto da pesquisa mediúnica que desenvolvemos por um longo período no Centro Espírita Allan Kardec (Santos), procurando retomar o método de investigação formulado por Kardec. Nele apresentamos as conclusões a que pudemos chegar no sentido de decifrar os mecanismos envolvidos no PCM.

Ademar Arthur Chioro dos Reis
Autor: Ademar Arthur Chioro dos Reis
Médico sanitarista e professor universitário. Membro do CPDoc e do Centro Espírita Allan Kardec (Santos-SP)

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Coluna do CPDoc - América Espírita – Ano IX - Nº 99 – Novembro 2006

A pesquisa aborda a versão espírita da história produzida durante as décadas de 1930 e 1940. Dois livros espíritas nortearam o trabalho: A Caminho da Luz, de Emmanuel e Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Humberto de Campos.

Para felicidade do CPDOC, Fábio apresentou seu trabalho ao grupo em 2004 (em Santos) e agora em 2006 (em Curitiba), ao lançar o livro.

Saulo de Meira Albach
Autor: Saulo de Meira Albach
Membro do CPDOC, Integrante do grupo musical “Alma Sonora, de Curitiba-PR.

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Coluna do CPDoc - Jornal Opinião - América Espírita – Ano XIII - Nº 135 – Outubro 2006

Neste artigo gostaria de ressaltar alguns tópicos para esclarecimento. A definição de células tronco:

Célula (do latim cellula, quarto pequeno) é a menor unidade de um ser vivo. Tronco equivale a ponto que origina ramificações. Assim, célula-tronco é aquela capaz de produzir células-filha idênticas. As células-tronco são células indiferenciadas, ou seja, com potencialidade de se transformar em qualquer tipo de célula especializada do organismo. Por exemplo, células hematopoiéticas – são as encontradas no sangue, células musculares, as encontradas nos músculos e etc.

Alcione Moreno
Autor: Alcione Moreno
Médica GO - Terapeuta Sexual, Secretária do CPDoc.

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Coluna do CPDoc - América Espírita – Ano XIII - Nº 134 – Setembro 2006.

A partir deste mês o Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) ocupará este espaço para apresentar artigos relacionados com os estudos e pesquisas que desenvolve. Em cada mês um novo artigo tratará de um tema específico, sempre envolvendo um assunto de interesse para o pensamento espírita, a sociedade e a ciência. Desta maneira, além de divulgar essas pesquisas, será possível também receber da comunidade análises e críticas que contribuam para seu aperfeiçoamento.

Qual é o objetivo do CPDoc?

Mauro de Mesquita Spinola
Autor: Mauro de Mesquita Spinola
Engenheiro eletrônico, Doutor em Computação, professor universitário. 2º. Secretário da CEPA. Diretor do CEE José Herculano Pires (São Paulo). Atual presidente do CPDoc. Participante do Programa Momento Espírita, da Rádio Boa Nova, de Guarulhos. Autor do livro "Centro espírita: uma revisão estrutural", editado pelo CPDoc.

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A Pretensão do TELECO

Quando o TELECO surgiu, ou até antes de encarnar TELECO, vivíamos uma situação de pouco estímulo a leitura. O apelo da TV era soberbo e atrativo. Os computadores estavam se estabelecendo e ocupando grande espaço do interesse infanto-juvenil. Saímos de um período de ditadura, em que a educação e cultura fora prejudicada, sobrepujada por interesses outros e a nossa juventude pouco ou nada lia; salvo os filhos de uma parte da classe média mais abastada, por conta de educação em escola particular, que nem era tão estimulada mas “forçada” (se assim se pode colocar) a ler.

Então o peralta TELECO queria ser o mote, a referência de estímulo à leitura. E mergulhou de cabeça encarnando essa idéia. Sinto que depois do TELECO, até melhorou o padrão cultural da população infanto-juvenil, a despeito do nascimento e idéia do TELECO. Os pais e educadores, talvez tenham se aplicado pouco mais, mesmo a TV incrementou sua programação com algumas opções mais educativas, menos apelativas (que ainda há) a mídia informatizada se estabeleceu útil, dinâmica, aprazível... mas o TELECO é uma idéia que ficou. Precisa ser aprimorada, aperfeiçoada no afã de conquistar seu público, tornar-se atraente. Ele sonha com isso, afinal gosta de fazer efetivamente amigos; mas talvez seja meio desajeitado, tímido, retraído e precise de estímulo de sugestão dos amigos do CPDoc que o viram nascer. Ele quer brincar e ajustar-se ao público. Quer ser manuseado, riscado, colorido. Quer falar de espiritismo, seu grande amor e paixão. Talvez queira reencarnar, mas ainda com o propósito literário. Pretende ser amigo do leitor e da leitura.

Geraldo Pires
Autor: Geraldo Pires

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Espiritismo: uma religião brasileiraAmérica Espírita

A CEPAmigos e o CPDoc promoveram interessante debate com o professor José Luiz Santos, autor do livro “Espiritismo: uma religião brasileira”, escrito a partir dos estudos que desenvolve na área de representações sociais e simbolismos, analisando a cultura como dimensão do processo social. Professor titular de antropologia da UNICAMP, fez interessante análise da inserção do espiritismo no Brasil, que se deu por meio da elite cultural, branca, letrada e católica, que falava francês e ocupava funções sociais de prestígio (militares, juizes, etc.). Segundo ele, os primeiros espíritas, principalmente os “científicos”, eram progressistas, anti-escravagistas e pró-republicanos.

Destacou que naquele contexto o catolicismo enfrentava problemas com o império e por não atendia a expectativa da cultura brasileira, que ansiava por coisas espetaculosas. Além disso, o espiritismo surgiu em sintonia com o paradigma dominante do século XIX, o evolucionismo teleológico, que propunha um sentido ao paraíso, o lugar perfeito para onde natural e inexoravelmente evoluiria a sociedade.

Ademar Arthur Chioro dos Reis
Autor: Ademar Arthur Chioro dos Reis
Médico sanitarista e professor universitário. Membro do CPDoc e do Centro Espírita Allan Kardec (Santos-SP)

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Muitas informações que circulam no movimento espírita brasileiro a respeito do livre-pensamento e dos grupos espíritas que a ele se vinculam foram distorcidas e se mostram incompletas, devendo-se a isso vários dos preconceitos presentes no contexto histórico atual.

O necessário resgate da história, que hoje se faz com grande intensidade no espiritismo, resultou em um projeto que está sendo posto em prática pelo Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), com o objetivo principal de estruturar a memória com base nos fatos e na visão daqueles que participaram ativamente dos acontecimentos, em especial nos anos 1970 a 1990, período em que a CEPA retomou sua presença no Brasil, o Grupo de Santos se formalizou e o CPDoc foi criado.

A consciência imprecisa dos acontecimentos importantes da época se tornou um campo fértil para a disseminação de fatos, que hoje se conhece como Fake News, do que resultaram e em grande quantidade permanecem no canário da atualidade diversos preconceitos em relação aos grupos e indivíduos que comandaram ou participaram ativamente daqueles eventos.

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Arthur Conan Doyle, no livro História do Espiritismo, afirma que Emmanuel Swedenborg foi um dos homens mais cultos e inteligentes de sua época e que era dotado de mediunidade polimorfa (multiforme). Nascido em Estocolmo (1688-1772), foi um grande cientista e teólogo. No auge da carreira cientifica, abandonou tudo para se dedicar à divulgação do espiritualismo. Dizia que Deus o havia encarregado dessa missão. Recebeu essa revelação divina em abril de 1744, em Londres. “Na mesma noite - diz ele - o mundo dos espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e aí encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e de todas as condições. Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em plena consciência, com anjos e espíritos.” Nessa primeira visão fala de “...uma espécie de vapor que se exalava dos poros de meu corpo. Era um vapor aquoso muito visível e caía no chão, sobre o tapete.”

Essa emanação (ectoplasma) era uma importante característica física a ser pesquisada, mas isto não lhe interessou. O que lhe ficou marcado foi a revelação divina; então passou a agir profeticamente. O Professor José Herculano Pires no livro O Espírito e o Tempo, diz: “Diante dos fenômenos, ... não se coloca em posição de crítica e observação, mas de passiva aceitação. Considera-se eleito para uma missão espiritual, senhor de uma revelação pessoal, e portanto incumbido, como Moisés ou Maomé, de ensinar enfática e dogmaticamente o que lhe era revelado.”

Deslumbrado pelos fenômenos psíquicos de que era portador dizia-se o único, ajudado pelos anjos, a transmitir a mensagem direta de Deus à humanidade. Crê-se infalível em suas predições; sua teologia é complexa e ininteligível.

Autor: Delma Crotti
é aposentada, em Santos/SP.

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Os condicionantes históricos e culturais são quase sempre determinantes. É quase impossível analisar determinado fenômeno social sem considerar aspectos históricos, econômicos, culturais, dentre tantos outros fatores. O Espiritismo, enquanto movimento social, não foge a essa regra básica. Por mais que os espíritas insistam em conceber um Espiritismo em si, algo meio metafísico, impoluto, separando o movimento espírita da Doutrina Espírita, de modo equivocado, a realidade mostra-se mais implacável do que se imagina.

Ter uma certa consciência de todo o processo social pode oferecer condições de se optar por caminhos nem sempre condicionados pelo fator cultural e econômico. Isto significa, no caso do Espiritismo, uma compreensão de sua natureza e da forma como se organiza socialmente.

É aí que entramos na questão desejada. A organização social do Espiritismo surge de modo celular. A primeira célula foi a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE), em 1858. Em seguida surgem em todo o território francês inúmeros grupos espíritas que se estendem para além das fronteiras francesas, na Bélgica, Suíça, nas colônias francesas, para todo o mundo.

Eugenio Lara
Autor: Eugenio Lara
Arquiteto e design gráfico, é membro-fundador do CPDoc, expositor do InstitutoCultural Kardecista de Santos, do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos, e um dos coordenadores do site PENSE – Pensamento Social Espírita.

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O Espiritualismo Moderno chegou à França em 1852 e logo fez seus primeiros adeptos. Mais tarde, quando Kardec promove uma intensa mudança de método e de paradigma no espiritualismo francês, o adjetivo espírita passa, a partir dos anos 1860, a designar também os espiritualistas. Surge, então, o conceito de escolas americana e francesa do Espiritismo.

Na edição de abril de 1864 da Revista Espírita, Kardec admite a existência das duas escolas, porém atribui ao seu trabalho a categoria de início do espiritismo filosófico: "o Espiritismo experimental estava sobre seu terreno na América, ao passo que a parte teórica e filosófica achava na Europa os elementos mais propícios ao seu desenvolvimento; também foi ali que ela nasceu: em poucos anos conquistou o primeiro lugar. (...) A América, pois, foi o berço do Espiritismo, mas foi na Europa que ele cresceu e fez suas humanidades."

Embora tenha admitido seu desenvolvimento científico e o alcance e a justeza de muitas de suas ideias, parece que Kardec não considerou a experiência americana digna do epíteto de "filosófica” devido à ausência de uma coordenação metódica de princípios: “Não existe, a bem dizer, corpo metódico de doutrina; ali se encontram, como se pode ser convencido, ideias muito justas e de alto alcance, mas sem ligação.” ( Revista Espírita, abril de 1869).

Herivelto Carvalho
Autor: Herivelto Carvalho
Servidor público; Delegado da CEPA em Ibatiba ES; Membro da Associação Caminhos para o Espiritismo.

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O todo é sempre maior do que a soma das partes, este é o pensamento sistêmico que, empregando como referência bibliográfica Fritjof Capra e Allan Kardec, tecemos alguns comentários sobre a evolução e o espiritismo.

Até o século XIX o pensamento vigente era: todas as criaturas foram criadas por Deus, e através da reprodução perpetuariam suas espécies na Terra. As formas biológicas foram fixadas de uma vez para sempre, sendo imutáveis.

Lamarck foi o pioneiro em teorizar que as espécies não são fixas, elas mudam com o tempo e dependem do meio ambiente.

Alcione Moreno
Autor: Alcione Moreno
Médica GO - Terapeuta Sexual, Secretária do CPDoc.

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“Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?

– Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre” (O Livro dos Espíritos, q. 931).

Uma rápida pesquisa sobre a biografia das maiores celebridades da história, de qualquer área: ciência, arte, esporte, religião, política, ou outra, revelará que o(a) investigado(a) não pode ser considerado unanimidade, não estava “acima do bem e do mal”, tinha, ou tem, seus defeitos, e não raro apresentava, ou apresenta, alguma característica um tanto estranha aos padrões usuais.

Jacira Jacinto da Silva
Autor: Jacira Jacinto da Silva
Juíza de direito em Bragança Paulista, espírita de nascimento, membro do CPDoc e Presidenta da CEPAmigos.

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A percepção do significado do conhecimento está na razão direta da maturidade do espírito. Daí porque o sentimento de justiça, o bem e o belo colocarem desafios permanentes ao ser humano do nosso tempo.

A maturidade é considerada o momento supremo em que o ser reúne todas as condições físicas e psíquicas para encarar a vida de um ponto de vista livre e objetivo. Talvez, Herculano Pires tenha dado a dica sobre esse estado de espírito quando faz a crítica da imaturidade: diz, mais ou menos assim: vivemos que nem galinhas, preocupados com as migalhas. Ou seja, o ser comum se incomoda com tudo e com nada, tornando-se um policial das miudezas, uma sentinela de ratos, um paparazzo de cenas grotescas ou um reprodutor incansável dos minutos de fama. Assim, tem muito poucas chances de perceber a essência da vida, que desfila como sombra nas paredes descoloridas do não significado.

Serão as migalhas de Herculano o sinal da imaturidade doutrinária?

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Este artigo será reproduzido aqui em duas partes, pela extensão que demanda.

Em tempos de polêmicas políticas e sociais, tanto na esfera nacional quanto internacional, vale a pena pensarmos sobre o papel dos espíritas laicos e da CEPA (Associação Espírita Internacional) em relação a estes temas. Trata-se de uma reflexão de grande importância no que diz respeito as diretrizes fundamentais do movimento espírita laico e livre pensador, que precisa delinear, com precisão de princípios, o que poderíamos chamar de um pensamento social espírita, com vistas a compreensão e enfrentamento dos temas sociais e políticos do mundo contemporâneo.

Entendemos que o intelectual espírita deve ter uma abrangência global em seu olhar para a realidade. Deve ser alguém capaz de pensar desde as questões metafísicas até as estruturas sociais. O intelectual espírita deve refletir sobre o homem e o mundo. Portanto, devemos ser capazes de abrigar no âmbito da CEPA e da CEPABrasil (Associação Brasileira dos delegados e amigos da CEPA) espíritas que pensem e falem sobre todos os temas da filosofia espírita desde as questões do indivíduo até as questões da sociedade.

Ricardo Moraes Nunes
Autor: Ricardo Moraes Nunes
Oficial de Justiça, participante do C.E. Maria Amélia no Guarujá, membro do CPDoc, secretário adjunto da CEPAmigos.

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Quem somos

O CPDOC Iniciou suas atividades em 1988, fruto do sonho de jovens espíritas interessados na inserção da crítica coletiva como prática estimuladora ao aperfeiçoamento dos trabalhos.

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