O ESPIRITISMO E A (IN)TOLERÂNCIA NO MUNDO GLOBALIZADO - Jornal Abertura 2017

Jailson Lima de Mendonça - Santos/SP

O problema da Intolerância é um tema que nos assola todos os dias e que nos arremete a reflexões constantes pessoais e de como o Espiritismo e os espíritas podem contribuir em relação ao mundo que estamos vivendo, nossa relação com os mais próximos e os outros indivíduos.

Chegamos ao século XXI com a impressão de ter havido um retrocesso no comportamento e entendimento humano no que tange a sua relação com o outro, e isto nos causa uma particular angústia ao lembrarmos o ensinamento espírita de que o espírito está em evolução permanente e que este não retrograda.

Também não deixamos de questionar o quanto o processo de globalização tem influenciado, positivamente ou não, as transformações na ordem política, econômica, social e cultural mundial e consequentemente como os espíritas se posicionam em relação ao mesmo.

Ao longo da história da humanidade foram inúmeros os casos onde uma atitude intolerante levou a verdadeiras tragédias, mas vemos ainda na atualidade as atitudes de intolerância mais extremas, como o racismo e o sexismo serem reprovados abertamente, mas estas mesmas atitudes se reproduzem em outras áreas de um modo mais velado, podendo revestir formas de deboche ou desqualificação.

Portanto, dessa reflexão vemos que a intolerância ainda está enraizada em nosso ser, introjetada em nossa mente. Ela se apresenta tanto nas grandes questões que envolvem disputa políticas e territoriais, mas também em nossos costumes e na forma como encaramos o diferente.

Atualmente, no mundo, ocorrem dezenas de conflitos, quase todos armados, que direta ou indiretamente estão relacionados à intolerância contra a diversidade cultural e interesses econômicos, mas há a violência cotidiana com o desrespeito a todo tipo de direitos humanos. Neste contexto, vemos que não é fácil nos situarmos e encontrar soluções para se obter a paz ou um pouco de harmonia, mas essas com certeza deverão passar pelo diálogo e um possível processo de espiritualização, quem sabe ainda neste século.

A globalização não ocorre só no que tange as questões econômicas e culturais, também é possível ver seus reflexos em outras atividades, inclusive as ilegais como a prostituição, pedofilia, tráfico de drogas, armas e animais, "lavagem de dinheiro" e consequente aumento dos "paraísos ficais". E como muitos outros fenômenos de elevada complexidade, ela apresenta pontos positivos e negativos.

Nosso saudoso José Rodrigues, no texto “O Espiritismo Frente à Globalização e ao Neoliberalismo (02/2003), explica que:

“O Espiritismo é uma doutrina de atualidade para o mundo. A obra de Allan Kardec, apresenta, por seu caráter universalista, equidistante de crenças, castas e cores, de ideologias transitórias, um conteúdo conciliador, porém, de extrema exigência, que é a visão imortalista e evolutiva da vida, com suas repercussões no chamado mundo corpóreo. Não há como negar que a humanidade tenha deixado de subir degraus na escalada do tempo, em direção à igualdade e à justiça, em sua visão ampla. A realidade palingenésica da vida, coloca os espíritos como herdeiros de si mesmos, em construção contínua no campo individual e social. Mas é tempo de se ampliar esse conhecimento, libertando-o dos respingos de seita e de uma visão metafísica, no estrito sentido de culto aos mortos, interesseiro e sancionador de privilégios.

Deixe-se claro e até transparente, que o conteúdo espírita não é obstáculo à globalização. Como processo histórico e natural, tem seu curso como reflexo de intenções de pessoas ou países, cujo conjunto os qualifica no sentido conservador ou progressista. Totalitarismos, de um lado ou outro, têm sido varridos pela força do progresso, e continuarão a sê-lo. Pode-se até afirmar que Allan Kardec possuía ideias globalizantes e não poderia ser de outra forma, em se tratando de uma filosofia de bases naturais, com espíritos se comunicando em vários países, sob plataformas de igualdade e justiça. Tal se observa, por exemplo, no texto de O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), no comentário sobre a utilidade providencial da riqueza”.

Sabemos o que é ser tolerante ou intolerante, mas muito pouco refletimos sobre isso e nossa capacidade pessoal de gerar atitudes desta ou daquela. Ser tolerante é fundamental para todos aqueles que querem viver bem em sociedade, respeitando diferentes opiniões ou comportamentos, mas há de se ter humildade para admitir que não somos os donos da verdade e que nossas opiniões e modo de ver o homem e o mundo, não são necessariamente, os melhores e mais corretos.


Jailson Lima de Mendonça, casado, advogado e contador, Presidente do Centro Espírita Beneficente Ângelo Prado, Santos/SP, Diretor Financeiro da CEPA e membro do CPDoc.

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