O Espiritismo desde seu início esteve associado à discussão sobre problemas mentais, loucuras, e outras patologias.

Kardec, em várias obras, discute sobre o tema espiritismo e loucura. Só na Revista Espírita são 26 textos sobre o assunto.

A professora Roberta Muller Scafuto Scoton em seu trabalho "Espiritismo e medicina no Brasil: um balanço historiográfico” enfoca textos dos finais do século XIX até o final da primeira metade do século XX, percebendo três grupos de tendências temáticas nas pesquisas sobre o tema:

1º - O Espiritismo como uma das modalidades de cura que concorriam com a medicina acadêmica, que se oficializava em fins do século XIX.

2º - Pesquisas que se centram no campo do discurso médico sobre as ideias e práticas espíritas, e a influência deste discurso sobre outras esferas, como jornalística e intelectual.

3º - Trabalhos que fazem uma abordagem institucional através da análise de asilos, hospícios e hospitais espíritas.

No primeiro grupo, modalidades de cura que concorriam com a medicina acadêmica, o Espiritismo era criticado, com processos criminais, sendo acusado de curandeirismo e charlatanismo.

O papel da FEB, Federação Espírita Brasileira, foi muito importante nesta época, pois referendava o discurso da caridade: as práticas espíritas NÃO visavam lucro e seriam uma complementação da medicina oficial.

No segundo grupo – Pesquisas que se centram no campo do discurso médico sobre as ideias e práticas espíritas – o Espiritismo, junto com a sífilis e o alcoolismo, era uma das principais causas de internação em hospícios de alienados. Médicos renomados como Dra. Nina Rodrigues, Dr. Franco da Rocha orientavam sobre o perigo das sessões espíritas: que elas causariam histeria, alucinações, loucura etc.

A partir de 1910 até meados da década de 30 o Espiritismo é visto na medicina como delírio episódico dos degenerados.

O Espiritismo é considerado como doença contagiosa, epidemia ou vício, crime contra a saúde pública. Havia uma ação conjunta de médicos, policiais e jornalistas. Muitos espíritas foram presos nessa época.

A partir da década de 40, dentro da própria classe médica vemos figuras despontando na luta a favor do Espiritismo, inclusive colocando-o como alternativa de cura mais eficiente à alienação mental que a própria medicina convencional. Por exemplo: Bezerra de Menezes, Brasílio Marcondes Machado, Inácio Ferreira, Souza Ribeiro.

No terceiro grupo – Trabalhos que fazem uma abordagem institucional – havia um conflito entre tratamento médico convencional, em péssimas instalações e a contribuição do


Espiritismo “brasileiro” ter desenvolvido as implicações terapêuticas da obra de Kardec melhorando o tratamento dos pacientes internados. Com o tempo, muitos dos hospitais psiquiátricos espíritas foram sendo sustentados com dinheiro público, não sendo possível manter o tratamento espírita e, nas longas internações, se perdia totalmente o vínculo com a família e com a sociedade.

Hoje a Organização Mundial de Saúde mudou o paradigma de atendimentos em hospitais psiquiátricos sendo o tratamento focado na humanização, individualizando cada caso, com acompanhamento da família e tentando manter a vida social do paciente.

As pesquisas médicas atualmente estão sendo realizadas em vários ramos do conhecimento.

Os trabalhos do psiquiatra mineiro Dr. Alexander Moreira de Almeida são publicados em revistas acadêmicas indexadas, como: Prevalência de transtornos mentais em médiuns de centros espíritas; Fenomenologia das experiências mediúnicas; Perfil e psicopatologia de médiuns espíritas, entre outros, com o reconhecimento de várias instituições internacionais. Presidente do NUPES - Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, na Universidade Federal de Juiz de Fora tem prestado grandes avanços nas pesquisas.

Nas terapias de vidas passadas, psiquiatras e psicólogos se deparam com relatos de pacientes, instigando a pensar em reencarnação. Trabalhos como o da Dra. Linda Tarazi, norte americana, com o título “Um caso raro de regressão, com algum conteúdo inexplicável”, são animadores.

Com o artigo “Os avanços da ciência da alma”, a jornalista Denise Paraná, relata uma pesquisa inédita usando equipamentos de última geração para investigar o cérebro dos médiuns durante o transe. Esta pesquisa foi realizada na Filadélfia, Estados Unidos, em 2008, numa parceria entre Brasil e Estados Unidos.

Muitos grupos estão pesquisando cientificamente temas abordados pelo Espiritismo, vamos continuar aprendendo e estudando cada vez mais com estas pesquisas.

Alcione Moreno é ginecologista e obstetra, terapeuta e educadora em saúde sexual. É participante do CPDoc.

Os artigos desta coluna baseiam-se em estudos e pesquisas desenvolvidos pelo CPDoc. www.cpdocespirita.com.br / Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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O CPDOC Iniciou suas atividades em 1988, fruto do sonho de jovens espíritas interessados na inserção da crítica coletiva como prática estimuladora ao aperfeiçoamento dos trabalhos.

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