Na variedade de temas presentes na música popular brasileira encontramos aqui e ali motivos espíritas nas letras do nosso cancioneiro. Seriam os seus autores adeptos do Espiritismo?

Não, necessariamente... Mas o uso da temática indica a penetração de idéias espíritas no imaginário dos compositores. Especialmente a da vida após a morte que, se não é uma idéia originária do Espiritismo encontra nele um amplo desenvolvimento. Mas vejamos as canções:

O tema da vida após a morte foi usado de forma irônica por Noel Rosa em “Fita Amarela”:

Quando eu morrer, não quero choro nem vela

Quero uma fita amarela, gravada com o nome dela...

Se existe alma, se há outra encarnação,

Eu queria que a mulata sapateasse em meu caixão...

O mestre Chico Buarque, escreveu em tom de indagação em “O Circo Místico” (parceria com Edu Lobo):

Qual

Não sei se é nova ilusão

Se após o salto mortal

Existe outra encarnação

O pernambucano Lenine, em “Mais Além” (parceria com Bráulio Tavares, Lula Queiroga e Ivan Santos) canta:

A leste das montanhas da nação Cherokee Um índio na motocicleta cruza o deserto Ao longe o cemitério onde dorme o pai Mas ele sabe que seu pai não está ali,

É mais além, mais além...

Geraldo Filme, sambista paulista, foi explícito em “Reencarnação”: 1

A gente aqui na Terra erra

Muitas vezes sem razão

Peço ao Criador

Quero voltar na reencarnação

O grande Milton Nascimento, em parceria com Zé Renato, compôs “Anima”:

Alma vai além de tudo

O que o nosso mundo ousa perceber

Casa cheia de coragem vida,

Tira a mancha que há no meu ser

Te quero ver

Te quero ser

Alma


1 Quem me falou dessa música foi o amigo Eugênio Lara, pesquisador incansável do Espiritismo.


Outro ícone da música brasileira, Caetano Veloso, escreveu na belíssima “Oração ao Tempo”:

E quando eu tiver saído

Para fora do teu círculo

Tempo tempo tempo tempo

Não serei nem terás sido

Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito

Ser possível reunirmo-nos

Tempo tempo tempo tempo

Num outro nível de vínculo

Tempo tempo tempo tempo ...

A ótima cantora, compositora e violonista Joyce em “Monsieur Binot”:

Então, olha aí, monsieur Binot Melhor ainda é o barato interior O que dá maior satisfação

É a cabeça da gente, a plenitude da mente A claridade da razão

E o resto nunca se espera O resto é próxima esfera O resto é outra encarnação

A roqueira Rita Lee, em “O Futuro Me Absolve”:

Não é de hoje que eu estou aqui

Tentando voltar pro lugar

De onde nunca saí

Eu já fui pedra

Eu já fui planta

Eu já fui bicho

Hoje eu sou uma pessoa envolvida

Pelas vidas que vivi

Nenhum desses compositores é espírita. Em “O Livro dos Espíritos”, Kardec aborda o tema das idéias inatas que é uma hipótese para explicar a crença numa vida para além da morte. Ouçam as canções acima citadas na íntegra, pois transcrevi apenas trechos das letras, e tirem suas conclusões.

Saulo de Meira Albach – Membro do CPDOC – Santos (SP).

Integrante do grupo musical “Alma Sonora”, de Curitiba-PR.

Os artigos desta coluna baseiam-se em estudos e pesquisas desenvolvidos pelo CPDoc. www.cpdocespirita.com.br / Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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