Coluna do CPDoc

A contribuição do Espiritismo para a bioética

Bioética e Espiritismo são áreas do conhecimento que se aproximam na medida em que questões relativas à bioética lidam com a expressão material da vida, mas também com as suas relações com o Espírito. Por isso, acredito que é possível produzir uma contribuição a partir da filosofia espírita para as chamadas questões de vida, que têm sido objeto de estudo desta nova ciência intitulada bioética, que surgiuhá 30 anos e estuda as dimensões morais das ciências da vida e do cuidado da saúde, utilizando uma variedade de metodologias éticas num contexto multidisciplinar.

Os princípios que fundamentam a concepção da bioética podem ser respaldados, a partir da concepção espírita, por estarem em absoluta concordância com as leis naturais que regem o universo e que indicam o que o homem deve fazer para ser feliz. Essa lei (divina ou natural, segundo Kardec) está escrita em nossa consciência. O instrumento para distinguir o bem e o mal, segundo a visão espírita, é o uso da inteligência, que permite o discernimento, mediada pela vontade que se mobiliza no sentido de fazer o bem, a máxima de amor capaz de estabelecer novos patamares de relação entre os seres humanos e impor um novo status evolutivo para a humanidade.

Se efetivamente praticados e perseguidos obstinadamente, a liberdade, a fraternidade, a solidariedade e a justiça social podem propiciar uma existência profícua, que coloque todo o potencial intelectivo do homem e o direcionamento de suas ações a serviço do progresso.

A grande contribuição do Espiritismo nesse debate é a afirmação da existência do Espírito, a imortalidade da alma e a evolução infinita, ao agregar a dimensão extracorpórea das criaturas: o princípio espiritual. O Espiritismo demonstra, a partir dos fatos pela via da experimentação, a preexistência, a existência e a sobrevivência da alma, que conserva todas as faculdades intelectuais, morais e espirituais depois do desencarne. A visão de mundo a partir da filosofia espírita delega ao homem o papel de sujeito, de protagonista de sua própria história, responsável pelo que é e pelas circunstâncias em que se encontra. Mais: delega ao próprio homem o papel de


construtor de seu destino e de seu futuro, tanto numa perspectiva individual como societária.

Ao lidar com temas como a origem, a dor e o sofrimento, as enfermidades físicas e psíquicas, a morte e o destino dos seres, procura responder à seguinte indagação – por que e para que estamos neste planeta? – sem usar de expedientes sobrenaturais e nem dogmas, num apelo permanente para o uso daquilo que efetivamente diferencia os humanos enquanto espécie: a capacidade de pensar. Permite-nos vislumbrar, a partir da perspectiva imortalista e evolucionista (não determinística, mas sim dialética), um novo comportamento pessoal, familiar e social em busca da transformação da sociedade através de formas mais fraternas e justas de convivência.

Requer que estejamos integrados com a vida, para alcançarmos a transformação que os novos tempos requerem. Como afirma JON AIZPÚRUA “o Espiritismo não se reduz à fria experimentação de laboratório. O científico e o filosófico se projetam no ético e no moral...” Daí a necessidade de estabelecer umpermanente e profícuo diálogo com todas as correntes de expressão do conhecimento humano.

Ademar Arthur Chioro dos Reis

Médico sanitarista e professor universitário.

Membro do CPDoc e do

Centro Espírita Allan Kardec (Santos-SP)

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