Coluna do CPDoc

Células Tronco – Um estudo á luz do Espiritismo

Este é um tema polêmico sujeito a muitas controvérsias. Escrevi um trabalho que foi discutido no CPDoc, e posteriormente apresentado no IX S.B.P.E.( o texto completo está nos anais do Simpósio).

Neste artigo gostaria de ressaltar alguns tópicos para esclarecimento. A definição de células tronco:

Célula (do latim cellula, quarto pequeno) é a menor unidade de um ser vivo. Tronco equivale a ponto que origina ramificações. Assim, célula-tronco é aquela capaz de produzir células-filha idênticas. As células-tronco são células indiferenciadas, ou seja, com potencialidade de se transformar em qualquer tipo de célula especializada do organismo. Por exemplo, células hematopoiéticas – são as encontradas no sangue, células musculares, as encontradas nos músculos e etc.

As células podem ser classificadas da seguinte forma:

1 - Totipotentes ou embrionárias: células-tronco precursoras são as que conseguem se diferenciar em todos os 75 trilhões de células existentes nos 216 tipos de tecidos que formam o corpo humano;

2 - pluripotentes ou multipotentes são aquelas que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos humanos (menos a placenta e anexos embrionários);

3 - oligopotentes, as que conseguem se diferenciar em poucos tecidos; 4 - unipotentes, as que se diferenciam em um único tecido.

Temos quatro opções para coletar as células tronco.



Através de Tecido Adulto (tecidos são um conjunto de células) - Podem ser isolados de vários tecidos do organismo, como medula óssea e coração. São compatíveis com o próprio paciente, mas são oligopotentes ou unipotentes, isto é, têm um poder de diferenciação muito menor do que as embrionárias –. Não servem para tratamento de doenças genéticas.

Outra técnica de coleta é através de embriões clonados. Esta técnica é altamente experimental, muito difícil de ser realizada. São produzidos a partir de células do próprio paciente o que elimina o risco de rejeição para transplante.

Coleta através do sangue de cordão umbilical é a mais utilizada. No momento do parto, após o nascimento do bebê, corta-se o cordão e se coleta o sangue. As células tronco são compatíveis com o doador, podendo ser usadas também em outros pacientes. Podem dar origem a células do sangue, mas não há certeza quanto a outros tipos de tecido. Não servem para o tratamento de doenças genéticas, pois terão o mesmo “defeito” do paciente. Existem vários centros de coleta de sangue tanto da rede privada, como também da pública.

( Brasilcor) com banco de sangue de cordão no Brasil.

A mais polêmica é a obtenção de células tronco através de “ embriões congelados”. A coleta de células tronco neste caso ocorre em pré-embriões congelados há mais de três anos.Pela lei brasileira apenas com a permissão dos pais, e em excesso nas clínicas de fertilização.

Estes pré-embriões são obtidos a partir da concepção realizada em laboratório. Em placas, sob os cuidados de médicos e biomédicos se unem espermatozóide e óvulo. Observa-se a fecundação, as divisões celulares, até que estejam numa forma e número de células adequadas, que recebem o nome de blástula ou blastócitos, para finalmente serem inseridas no útero, sem a garantia de que o embrião se desenvolverá. Apenas em 55% das tentativas isto ocorre. Abaixo segue esquema da divisão celular realizada em laboratório

Blástula

As células tronco são utilizadas no tratamento de algumas doenças hematológicas malignas e não-malignas, por exemplo, a Talassemia major, Leucemias e Linfomas.

Em Neoplasias, como o Mieloma Múltiplo, Doença de Hodgkin, Tumores de células germinativas, etc.



As principais pesquisas hoje em dia, são no tratamento de pacientes portadores de Cardiopatias, Diabetes Mellitus, AVC (conhecido como derrame), Lúpus, Lesão Raqui-medular, Adrenoleucodistrofia, Esclerose Múltipla etc.

Com o olhar espírita veremos em Kardec no Livro dos Espíritos, respostas que nos orientam quanto ao momento em que a alma se une ao corpo, pois creio que esta é a maior preocupação dos espíritas. Kardec nos diz:

“A alma ou espírito se une ao corpo no momento em que a criança vê a luz e respira. Antes do nascimento a criança só tem vida orgânica sem alma. Ela vive como as plantas, tendo apenas o instinto cego de conservação, comum em todos os seres vivos”. (1ª edição).

“Existem natimortos que não foram destinados à encarnação de um Espírito?”.

Sim, há os que jamais tiveram um Espírito designado para os seus corpos: nada deviam realizar por eles. É, então, somente pelos pais que essa criança veio ““.

As fertilizações em vitro acontecem há mais de 30 anos. Estes pré-embriões sempre foram descartados, só que agora existe uma pesquisa que torna útil este material.

Muitos espíritas se preocupam com a utilização destes pré-embriões, alegando que o espírito destinado a estes “punhadinhos” de células ficaria ao lado da geladeira esperando a possibilidade de ser colocado dentro de um útero. E torcendo para estar dentro dos 55% dos blastócitos que conseguirão continuar seu desenvolvimento e se tornar um feto.

As células tronco são uma promissora via de tratamento para muitos doentes até o momento sem nenhuma expectativa. Temos muito a pesquisar. Este é apenas um dos caminhos de tratamento, mas que poderá ajudar muito a humanidade.

O Espiritismo seguindo os preceitos de seu fundador, acompanha a ciência em suas descobertas e avanços. Kardec sempre nos ensinou que o Espiritismo deve marchar passo a passo com o progresso, os espíritas, a meu ver deveriam fazer o mesmo.

Drª Alcione Moreno, Ginecologista e Obstetra, secretária do CPDoc, delegada da CEPA.


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O CPDOC Iniciou suas atividades em 1988, fruto do sonho de jovens espíritas interessados na inserção da crítica coletiva como prática estimuladora ao aperfeiçoamento dos trabalhos.

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